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Mais
de 80% da população não sabe o que é TV digital.
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(E. Siqueira e Marcos Meletti)
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A maioria esmagadora dos brasileiros não sabe o que é TV digital.
Numa pesquisa que conduzi nas últimas semanas, comprovei que mais
de 80% das
pessoas ouvidas - com escolaridade de segundo grau ou
superior - tinham muito mais dúvidas do que certezas. Por isso,
preparei esta coluna, em linguagem
simples, para os iniciantes ou para quem queira testar seu
conhecimento.
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Respondo,
a seguir, às perguntas mais freqüentes.
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1.
Que é TV digital?
É a transmissão de áudio e vídeo de TV aberta, pela
atmosfera, via sinais digitais, para recepção livre e gratuita por
todos os que dispõem de receptores. Seu nome, a rigor, deveria ser TV digital
terrestre em radiodifusão ou broadcasting.
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2.
Qual é a diferença entre TV analógica e digital?
Na transmissão analógica, são utilizadas ondas eletromagnéticas
contínuas, análogas aos sinais originais. Já na transmissão
digital é utilizada uma corrente
de bits, em código binário, formado de zeros e
uns, ou seja, a mesma linguagem digital dos computadores, dos CDs,
dos DVDs e do celular. A tecnologia digital converte tudo em bits - som, voz,
ruídos, imagens, fotos, gráficos, textos.
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3.
Já não existe muita coisa digital na TV brasileira?
Quase tudo, menos o sinal que vai da torre de transmissão
da emissora à casa do assinante, que ainda é analógico. Todas as
etapas anteriores já são digitais - como a captação de imagens, a produção, a edição,
o acabamento, os equipamentos de studio e transmissões de TV por
assinatura, a cabo, via satélite ou microondas.
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4.
Quando começarão as transmissões de TV digital?
Ninguém sabe. Se o governo escolher até abril o padrão a
ser adotado, é provável que as emissoras possam começar em
dezembro deste ano.
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5.
Nossos televisores atuais podem captar programas digitais?
Não, porque, sendo analógicos, não decodificam sinais
digitais.
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6.
Vou ter, então, que jogar fora meu televisor?
Não. Ao longo dos próximos 10 anos ou mais, as emissoras vão
transmitir tanto os programas analógicos como os programas digitais
no mesmo canal. Para captar programas digitais, os televisores convencionais
precisarão de uma caixa de conversão (receptor digital ou set top
box) que poderá custar menos de R$ 300.00
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7.
Só com essa set top box poderemos captar TV digital?
Não. Haverá, na verdade, duas possibilidades: além de
acoplar uma caixa de conversão ao velho televisor, você poderá
comprar um novo televisor, especial para TV digital, que virá com receptor digital e
outro analógico.
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8.
TV digital é o mesmo que TV de alta definição?
Não. Toda TV de alta definição é digital. Mas nem toda
TV digital é de alta definição. A diferença está, portanto, no
grau de definição.
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9.
Quais são esses graus de definição?
São quatro:
a) baixa definição (low definition ou LDTV), com imagens
de 240 pixels por linha, para recepção em celulares, PDAs ou
laptops;
b) definição-padrão (standard definition ou SDTV), com
480 pixels para televisores de definição normal como os atuais;
c) definição melhorada (enhanced definition ou EDTV), com
700 pixels, como dos melhores DVDs;
d) alta definição (high definition ou HDTV), de 1080
pixels por linha e, portanto, a melhor imagem, com o maior número
de pontos ou pixels.
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10.
Posso comprar já um televisor maior, de plasma ou LCD?
Pode, desde que o aparelho esteja "pronto para a alta
definição" (HD ready). Mas, para captar o sinal digital, ele
vai precisar de uma caixa de
conversão. Enquanto não começam as transmissões
digitais, eu uso esse televisor para ver TV aberta, por assinatura
ou DVDs, em meu home theater.
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11.
Qual é o grande salto da TV digital?
É a interatividade, que é assegurada por um canal de
retorno (linha telefônica fixa ou celular) e nos permitirá
responder a questionários e pesquisas, votar em eleições virtuais, obter informações
e serviços públicos (governo eletrônico) e, no futuro, fazer comércio
eletrônico e acessar à internet em banda larga.
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12.
Que outras vantagens teremos com a TV digital?
A imagem da TV digital não tem meio termo: ou
"pega" ou "não pega". Ou chega perfeita, sem
fantasmas nem chuviscos, ou mostra uma tela preta. Podemos gravar
qualquer programa, mesmo enquanto vemos outro. O som é estéreo e
surround em seis canais ou 5.1. A digitalização possibilita ainda
coisas como mobilidade, portabilidade, multiprogramação e
flexibilidade. Traduzo em miúdos. Multiprogramação (ou
multicasting) é a possibilidade de transmissão de até 4 programas
com diferentes níveis de definição num único canal de freqüência
(de 6 megahertz) utilizado pela TV digital.
Portabilidade é a recepção em diversos tipos de
equipamentos, como PDAs, laptops, celulares. Mobilidade refere-se à
recepção de programas em
celulares ou em veículos em movimento, como trens, ônibus
ou carros. Flexibilidade é a possibilidade de ter o máximo de
aplicações e serviços, tanto para as emissoras de TV, como para as operadoras de
celulares e empresas de multimídia.
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